Teste Nova Tenere 250 - Motociclismo!
Publicado por admin Publicado em November 26, 2010, 9:45 pm

Teste Nova Tenere 250

O ano era 1988 e o Rally ainda partia de Paris e terminava em Dacar. Todas as grandes marcas tinham uma motocicleta “big trail” ou “big single” (referência a motores monocilíndricos de capacidade cúbica maior) e sonhavam vencer o Rally. Estas motos inspiravam aventureiros em todo o mundo – inclusive no Brasil – onde a Yamaha nacionalizou a sua XT600 Ténéré.

O nome esquisito, com as três vogais acentuadas – Ténéré – significa “deserto” no idioma dos Tuaregs, povo que vive no centro sul do deserto do Sahara e que inspirou a Yamaha a mudar definitivamente o perfil do segmento on-off road do mercado mundial (e brasileiro também), obrigando concorrentes a se movimentarem. Muitos foram no mesmo caminho, procurando posicionar “geograficamente” seus produtos: Honda Africa Twin, Aprilia Tuareg,…..

Vinte e dois anos depois a nova Yamaha XTZ 250 Ténéré revive aquela boa imagem de motocicleta robusta e aventureira dos antigos modelos 600 e 750 (Super Ténéré). E ela não decepciona, apesar do motor menor. Porte, autonomia e conforto para piloto e garupa destacam-se e fazem renascer o espírito aventureiro para percorrer grandes distâncias e incluir no roteiro caminhos pouco hospitaleiros.

Neste teste, a nova Ténéré circulou bastante nas mais variadas condições para as quais sua versatilidade a qualifica: bons e maus caminhos urbanos, rodoviários, trilhas e estradas sem pavimentação. Perto de 30% do percurso, fizemos na terra, com subidas e descidas íngremes e grande variação de altitude (pressão atmosférica).

Em todas as condições a Yamaha XTZ 250 Ténéré se comporta bem, com destaque para o conforto e agilidade. A grande autonomia permite longos períodos pilotando sem causar fadiga e são decisivos para isso o pára-brisa e o banco em dois níveis e com largura adequada, que proporcionam uma condução em posição confortável e relaxada, mesmo sem atingir velocidades mais altas.

Os caminhos podem ser difíceis mesmo para uma moto estilo aventura. São necessárias suspensões macias e de curso relativamente longo para absorver os impactos do asfalto mal conservado das grandes cidades brasileiras. Estas características estão presentes na Ténéré 250 e o piloto não sente tanto porque as suspensões absorvem as irregularidades do piso com bastante tranquilidade.

No labirinto de carros, caminhões e ônibus ela não complica. Apesar da largura do guidão e da grande carenagem frontal, sua direção completamente livre do peso agregado do farol, piscas e painel de instrumentos permanece bastante leve e oferece agilidade em manobras a baixas velocidades. Contudo, falta torque em baixas rotações, exigindo um pouco mais de rotação do motor nas manobras urbanas. É comum perceber a necessidade de “queimar” embreagem para elevar a rotação do motor para além dos 6.000 rpm para sentir a força do motor.

No Brasil é necessário o uso do farol aceso todo o tempo para as motocicletas e a grande parte das motos fabricadas aqui não contam com chave que ligue e desligue o farol, nas Yamaha dessa série XTZ 250 todas têm. Na verdade é uma boa opção para quando se quer economizar bateria, mas deve-se ter cuidado para não levar uma multa por trafegar com farol apagado. Por sinal esse farol da Ténéré ficou muito bom.

Outra vantagem muito sensível nesta moto no uso urbano é o pouco calor gerado pelo motor no anda-pára dos dias mais quentes. Assim fica mais tranqüila e confortável sua condução. Faltou um bagageiro maior para prender alguma carga quando a garupa estiver ocupada.

Na rodovia

Pode-se trafegar no fluxo de velocidade normal de qualquer estrada, mas em algumas circunstâncias, quando se quer dar uma esticada a mais, a grande área frontal vai limitar a velocidade ao redor de 120 Km/h. Nesta situação o pequeno motor está girando próximo dos 8.000 rpm e é notável o baixíssimo nível de vibração, incomum nas monocilíndricas em rotações mais altas. Realmente elogiável o trabalho da engenharia da Yamaha. A sensação é que caberia uma sexta marcha para alcançar a mesma velocidade mas com uma queda de giro menor entre as marchas. Apesar disso, há grande torque e aceleração nas rotações mais altas do motor, a partir de 5500 rpm, e isso permite chegar rápido na velocidade de cruzeiro.

Nas curvas ela se mostra bem estável e capaz de absorver ondulações do terreno durante o contorno sem problemas. Os freios têm potência de sobra para controlar a moto em qualquer condição. Enfim, a boa distribuição de peso e as qualidades já mencionadas contribuem para uma pilotagem segura e relaxada podendo se estender por muitas horas.

Pela sua leveza, a pequena Ténéré promete bastante, mas a massa concentrada bem à frente do chassi prende a frente no chão e desfavorece manobras mais radicais. De fato ela não se propõe a esse tipo de manobras. Para isso há outros modelos da marca que se dedicam mais ao off-road. O estilo aventura dessa moto se dá bem em cruzar grandes extensões, seja pavimentada ou não. E quando o caminho acaba ela ainda continua oferecendo as mesmas características dos outros ambientes, destacando: muita maneabilidade para colocar a moto onde quiser pela leveza da direção, facilidade do piloto para colocar-se em posição de “ataque” aos obstáculos, ou seja, em pé e sobre a frente da moto ou mais para trás sem que haja obstrução aos seus movimentos. O limite do ressalto do banco traseiro para o garupa está lá mas não incomoda muito. Na verdade é bem conveniente para se ter companhia na viagem. Boa posição das pedaleiras, proteção ao calor do escapamento e alças seguras facilitam a vida do passageiro.

Técnica

Aprofundando a visão técnica na motocicleta destacam-se as características positivas também presentes nos outros modelos da série XTZ 250, mas na Ténéré algumas qualidades são só dela.

Chassi: Com berço semi duplo construido em tubos de aço vemos que a distância entre eixos e o trail são menores do que na Lander. O entre eixos muda de 1390 mm para 1385 mm, pouca coisa. A medida do trail é que cai bastante, de 103 mm para aproximadamente 76,7 mm (medição do Motonline) favorecendo a pilotagem na estrada. Soma-se ao efeito do trail mais curto, a menor massa agregada na direção que acaba por facilitar a correção de qualquer desvio de trajetória. Vibração, shimmy ou “balançar a cabeça” (head shake) ela não apresentou nunca, nem sombra do que seria esperado com um trail tão encurtado, principalmente em maiores impactos de grande movimentação da suspensão.

Suspensão: Macia e progressiva, mantém o controle do piloto com as rodas firmes no chão em qualquer situação. A traseira, com curso de 200 mm tem regulagem na pré-carga com anéis rosqueáveis, muito precisos. Importante usar esse recurso para ajuste do sag de acordo com o peso do piloto + garupa. Na frente, o curso de 220 mm é mais do que suficiente para dar excepcional estabilidade na moto em qualquer tipo de terreno.

Vale destacar um fato que ocorreu durante o período de teste. Ao final, com a moto com cerca de 600 Km, notamos uma tendência a comprimir a mola em sequência de ondulações, como se o retorno hidráulico estivesse fechado demais, forçando a mola a ceder na sequência de buracos rebaixando a traseira e perdendo tração. Verificando o sag ouvimos o rangir de bucha de suspensão e sabendo que a fábrica teve recall desse componente em outro modelo, resolvemos verificar. Retirando os pinos das articulações da suspensão verificamos estar adiantadas as marcas de desgaste, por motivo de falta de graxa. Colocamos graxa nova e mesmo sem desmontar o eixo da balança injetamos graxa pelo bico da engraxadeira. Problema resolvido, a atitude da moto melhorou muito porque o atrito ficou reduzido ao normal e o rangido parou.

Freios: Excelentes, começaram o teste um pouco fracos, a moto tinha um pouco mais de 200 Km e não estavam assentadas as pastilhas. Mas ao longo do percurso adquiriu muita potência e sensibilidade. Os dois discos funcionam muito bem, mesmo sem a opção do ABS.

Motor: Estáo comprovadas as qualidades desse motor, pioneiro na aplicação da injeção eletrônica em motos no Brasil. Apresenta um pouco de excesso de ruídos mecânicos que, na verdade ficam ressaltados pelo bom trabalho do escapamento e dutos de admissão, no controle de emissão de ruídos. A potência de 21 cv em 8000 rpm é entregue com 2,1 Kgf.m de torque em 6500 rpm. resultando em um motor menos elástico que a concorrência (de cilindrada maior) mas bastante competente em deslocar os 155 Kg da moto mais o peso do piloto. Você vai se encontrar em algumas situações, chamando o giro na embreagem para colocar o motor em rotação adequada para conseguir acelerar com um pouco mais de velocidade.

Câmbio: Muito resistente, típico Yamaha esse câmbio de 5 marchas tem um escalonamento adequado. Mas devido às características um pouco nervosas do motor (faixa estreita de potência) ele teria mais condições de colocar o motor em rotação ideal para mais aceleração se tivesse uma sexta marcha. Assim, o escalonamento poderia ser mais bem distribuido deixando o motor sempre com resposta rápida ao acelerador. A opção da fábrica em alongar a relação final teria um efeito mais completo, mas o custo seria maior. Ficou no compromisso do meio termo.
Comentário final

A Yamaha relança a Ténéré numa versão menor mas com todos os requisitos das grandes motos de sucesso da marca. A nova companheira da linha XTZ 250 teria vindo para substituir a Lander, que ainda permanece em produção. A marca escolheu introduzir o modelo para fazer frente a uma nova tendência de especialização. Ter uma linha específica para off-road com as TTR e outra específica para uso geral/aventura com as XTZ. É intenção evidente, mas quem fica ou quem sai de linha, só o tempo vai determinar.

12 comentarios

  • mARCIO BARROS says:

    VEM AI NO RIO DE JANEIRO QA COPA MAXXIS DE MOTOVELOCIDADE – DATA PREVISTA EM JULHO DE 2012 DIVULGUE AI

  • Sávio Muniz says:

    Vou comprar a minha também.
    Tenho 1,72 e após teste, prefiro abaixar também.
    Sobre a solucao de cortar o estofado, achei bacana, mas tensa. Quem for fazer isso deve saber muito bem o que está fazendo. Caso contrário pode acabar com a estética da moto.
    Na loja recebía a informação que é possivel abaixar 2cm na bengala e 1 cm na suspensao traseira.

  • Walter says:

    Comprei a minha Teneré 250 preta a um mês e estou adorando a moto. Ela é muito estável na estrada, anda bem na terra e é extremamente econômica! Estou fazendo até 33 km/l. Uso somente combustível de qualidade e procuro não deixar passar na reserva para evitar bolhas de ar na bomba.

    Realmente chama muito a atenção e quem não a conhece, pensa que é uma moto de cilindrada bem maior, pelo belo porte que tem.

    Mas o que me deternimo na decisão final, é que ela é bem menos visada que a sua concorrete XRE300 e tem a performace muito próxima.

    Valeu pessoal.

  • Betto De Friburgo says:

    …Ah ! Outra excelente soluçao eh retirar o banco e se informar por um caprichoso estofador e pedir para ele cuidadosamente retirar a capa do banco e recortar a espuma ,cerca de meia polegada, e, tornando a recolocar a capa, assim fica muito agradavel, pois alem de sentir grandemente a altura reduzida ainda se sente mais encaixado na moto a macies diminui muito pouco.
    Betto de nova Friburgo

  • Betto De Friburgo says:

    Prazer Amigos!A excelente solução para bnaixar a altura da tenere 250 e regular a suspensao traseira pondo no grau mais macio(coloca no minimo que eh mais macio possivel)Assim ao sentar ela sede ficando o piloto com os pes bem encostados no chao.
    Na suspensao dianteira ,afroxa os parafusos das bengalas e das sanfonas(Guarda po)e vai girando as bengalas com as maos e forçando-as para cima ate encostar no guidao,assim se notara que a frente vai baixar e bastante ficando amoto mais baixa isso e suficiente e no mais deixa os pineu com pouca pressao pois alem da moto ficar mais macia ainda abaixa mais um pouquinho.
    Valeu amigo:Felisberto de friburgo

  • alex says:

    quando comprei a tenere 250, fui informado pela revendedora que ela baixaria a altura,já tenho oito meses que comprei e ainda não a chei a solução , acho que a solução é vender a moto e comprar outra mais baixa.

  • marck johnnes says:

    oi!
    tow apaixonado pela moto, tow comprando a minha, mas o meu caso é o contrário… gostaria de saber se tem como eu aumentar mais ela, tanto na mola, quanto na bengala, pois tenho 1,82m de altura, e gostaria q ela ficasse mais ou menos com a altura d XT, ou pelo menos da XRE 300. obrigado

  • marcioho says:

    comprei a Ténéré 250 a vinte dias e estou muito satisfeito, otima moto.
    Muito confortavel e bonita.
    Todo mundo me pergunta sobre a moto por onde passo.

    Valeu cada centavo…

  • costa says:

    Gostaria de saber se tem como reduzir altura da tenere 250, minha alt 1,68. abs

  • MARCIO VICTOR says:

    Gostei demais do lancamento da nova TENERÉ 250.

    Eu tenhao apenas 1,65m de altura, de modo que mal condigo tocar o pé ao solo quando monto a NOVA TENERÉ 250 da Yamaha.

    Gostaria se saber se há algum meio de baixar a altura do veiculo sem consequeNcias danosas para a digibilidade e estabilidade?

  • MARCIO VICTOR says:

    Gostei demais do lancamento da nova TENERÉ 250.

    Eu tenhao apenas 1,65m de altura, de modo que mal condigo tocar o pé ao solo quando monto a NOVA TENERÉ 250 da Yamaha.

    Gostaria se saber se há algum meio de baixar a altura do veiculo sem consequemcias danosas para a digibilidade e estabilidade?

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