Imagine dois amigos, um com a nova Honda CB 300 e outro com a Yamaha Fazer 250 2009, que recebeu novo escapamento com catalisador e mudanças no painel. 0 da CB deve pensar que por ter a moto mais potente, com quase 6 cv a mais que a Fazer, andará sempre na frente? Para acabar com as dúvidas rodamos com as motos na cidade, estrada, pista e viajamos até São Sebastião, no Litoral Norte Paulista.
Abastecemos as motos e zeramos os hodômetros parciais das duas para que o consumo de combustível pudesse ser calculado. Já notei que o painel da Fazer oferece duas parciais, enquanto a CB 300 dispõe de apenas uma. Na Fazer há também a função fuel trip, que indica quantos quilômetros já foram rodados com o tanque na reserva, dado também inexistente na CB que apenas informa que a moto está na reserva. Prendemos as mochilas com a ajuda de redes elásticas e percebemos que há certa dificuldade para travar os ganchos na CB, por falta de pontos de fixação. Na Fazer, atar a bagagem é mais fácil por que os furos que há nas hastes das pedaleiras do garupa estão mais perto do banco.
Ainda pensei em ajustar a carga mola traseira da Fazer para garantir o bom trabalho da suspensão que teria a árdua tarefa de sustentar pilotos que pesam entre 80 e 90 kg, fora as mochilas com cerca de 5 kg. Desisti da idéia quando notei que seria preciso um contorcionismo para ter acesso à mola em ambas as motos. Calibramos os pneus e partimos para descobrir se a CB 300 deixaria a Fazer para trás.
Peso 10 kg a menos que Leandro Mello, meu companheiro de viagem, por isso comecei a viagem a bordo da Fazer e combinei que trocaríamos de moto de em trecho, evitando assim que os resultados de desempenho e consumo fossem deturpados. A saída do posto foi a primeira situação na qual potência e Iorque são bastante aproveitados para sair da inércia e logo atingir a velocidade limite da rodovia. E foi nesta saída que a CB 300 revelou ser um pouco mais rápida. Até que a Fazer atinja os 120 km/h a CB 300 se posiciona à frente por alguns metros.
A manhã de sexta-feira ainda escondia o sol, na estrada havia poucos carros, o suficiente para fazer com que ultrapassagens fossem necessárias durante toda a viagem. Nessas situações, com as motos próximas de 100 km/h, as retomadas da CB 300 não deixavam a Fazer para trás. Quando estava na frente nessas situações, dificilmente o Leandro com a CB 300 conseguia me ultrapassar.

Aproximamos as motos para conferir os conta-giros e a grande surpresa foi a comprovação de que, rodando a 120 km/h em quinta marcha, o motor da Fazer está girando a 8.500 rpm, 1.000 giros a mais que o da CB 300 na mesma velocidade. Com mais cilindrada, significa que a CB se esforça menos para acompanhar a Fazer. Paramos, trocamos as motos e nos sincronizamos novamente a 120 km/h. Além das rotações se manterem maiores, o novo motor de 300 cc da CB também mostrava que vibra mais que o motor da Fazer. E não é só, o nível de ruído do escapamento é mais acentuado, bem como o da relação coroa e pinhão), o que já acontecia com a Twister. Mais silêncio na estrada se traduziu em mais conforto ao longo das centenas de quilômetros.
Depois que trocamos de motos ficou evidente também a enorme diferença entre os campos de visão dos espelhos retrovisores. Na CB, os espelhos firam na altura do ombro e dificultam enxergar o que acontece atrás da moto, enquanto na Fazer os espelhos mais altos e distantes do piloto permitem um campo de visão mais amplo.
Chegando às curvas da Rodovia Rio-Santos (BR-101), que liga os litorais Norte e Sul de São Paulo, as motos seriam mais um papo sobre as motos, comentar as curvas fechadas que mereciam melhor sinalização na estrada e dar uma boa relaxada, saímos juntos em cada moto para avaliar o conforto do garupa. Diferente de motos esportivas e algumas motos custom, em qualquer uma das duas você pode chamar um amigo ou a namorada para te acompanhar sem medo de reclamações. Nas duas o banco é macio e a suspensão contribui para o conforto. Neste teste a Fazer marcou outro ponto, pois tem duas vantagens: a suspensão traseira possui 120 mm de curso contra os 105 mm da CB 300, além da maior distância entre as pedaleiras do piloto e do garupa. Na CB esta distância é pequena e faz com que os calcanhares do piloto encostem nos pés do garupa.
O mau tempo deu uma trégua para apreciarmos o mar da pequena praia de Paúba, em São Sebastião (SP). No retorno continuamos trocando as motos e fizemos outros testes de velocidade máxima, que só serviram para confirmar os resultados anteriores. Anoiteceu durante o caminho, e a CB marcou seu ponto com ajuda da lâmpada de 55 watts usada no farol, mais potente que o também eficiente da Fazer, que usa lâmpada de 35 watts. A leitura do painel no escuro também rende mais um pontinho para a CB 300, a cor laranja do display digital do velocímetro e o tamanho dos números do conta-giros são mais fáceis de visualizar que no novo painel da Fazer, agora com números menores e na cor vermelha.
Antes de guardarmos as motos na garagem, já em São Paulo, rodamos alguns quilômetros em plena hora do rush. No cenário urbano, a diferença de motor aparece e permite à Honda sair na frente nos semáforos e arrancar com mais vigor para ultrapassagens a baixa velocidade. Na cidade, a Fazer se destaca pela agilidade proporcionada pelo esterçamento do guidão e os pneus mais finos que da nova CB (110 e 130 contra 120 e 140, respectivamente).
Terminamos nossa acelerada viagem17,28 km/litro contra 14,05 km/litro da CB. Para nós ficou provado que dois amigos viajando juntos chegarão também juntos, sem que um tenha que esperar o outro. Portanto, se você está pensando em comprar uma delas terá de tomar a dura decisão entre os R$12,5 mil da chamativa Honda e os R$11 mil (ambos preços finais praticados pelas concessionárias) com ótima relação custo-benefício da Fazer.
Fonte: Duas Rodas