Teste da nova Tenere

Publicado por Eric 13 de julho de 2009 às 00:41

Estávamos em 1983, o Rally Paris-Dakar apelava cada vez mais ao sentido aventureiro dos pilotos privados, aqueles que durante anos deram cor e consistência à prova idealizada por Thierry Sabine, e que agora atravessa uma enorme encruzilhada.

Lançada em Marrocos há um quarto de século, a Yamaha voltou a este país para dar a conhecer umas das motos mais célebres dos anos 80, que fez sonhar uma geração de “fanáticos” pelas motos onde orgulhosamente me incluo. Tenho várias fotos de uma Ténéré azul de 1986, a primeira moto com mais de 50 cc que conduzi, do meu pai, que foi um grande apaixonado pelas motos e o grande “culpado” por esta paixão quase desmesurada pelas motos de terra que tenho hoje em dia.

Realmente, a Ténéré foi a primeira moto de grande cilindrada que me fez sonhar quando via aqueles aventureiros a cruzar as areias do deserto do Sahara e Ténéré na televisão, muitas das vezes em condições quase inumanas. A Ténéré foi apelidada com o mesmo nome de um grande deserto que se estende do Norte do Níger até ao Chade, e que em touareg quer dizer “nenhum lugar” ou deserto.

Saudoso regresso

Basicamente, a Yamaha continuou a seguir o mesmo conceito da Ténéré original, concebendo uma moto actualizada esteticamente mas em que os pergaminhos são os mesmos. A nova 660 é fácil de conduzir, económica, confortável e possuidora de uma grande autonomia.

No campo da ciclística a Yamaha teve de desenvolver um quadro totalmente novo, que permitisse albergar componentes mais rígidos e evoluídos para suportar os abusos quando se circula fora de estrada. O quadro é mais rígido, albergando ao mesmo tempo o depósito de óleo, fácil de inspeccionar, enquanto que na traseira o braço oscilante é um elemento muito evoluído construído em liga de alumínio de elevada rigidez torsional, mais leve que o aço e capaz de oferecer um comportamento mais eficaz fora de estrada.

No campo das suspensões passamos a encontrar na dianteira umas bainhas Paioli de 43 mm com 210 mm de curso, e onde é possível regular a pré-carga da mola mediante uma simples chave sextavada. Na traseira, a Sachs marca a presença com um amortecedor de reservatório separado que oferece 200 mm de curso e, igualmente, a possibilidade de afinação da pré-carga da mola no caso de circularmos com passageiro.
Outros componentes dignos de nota serão as rodas de 21 e 17 polegadas que permitem seleccionar um leque muito variado de pneus que existem no mercado para o caso de nos aventurarmos mais a sério fora de estrada.

Identidade marcante

Sem dúvida de que um dos aspectos mais marcantes da nova Ténéré será a sua estética fenomenal. Marcada por uma frente simplesmente fantástica, onde a grande óptica dianteira marca a presença e a carenagem que serve de apoio ao volumoso vidro dianteiro.

Para proteger a nova Ténéré em caso de queda, a Yamaha teve a ideia engenhosa de cobrir as extremidades mais salientes com uma borracha de alta densidade que, para além de ser apelativa em termos estéticos, se revelou extremamente prática, tendo em conta a quantidade de quedas sofridas na zona de terra pelos nossos colegas de profissão.

Onde a Yamaha trabalhou com grande afinco foi no equilíbrio geral do conjunto. Sabiam que esta 660 leva 24 litros de gasolina? Pois é, não se nota, a zona do depósito é muito estreita e permite um encaixe excelente dos joelhos quando andamos em pé ou sentados. A zona traseira da moto também foi alvo de grandes cuidados para se ter uma moto com assento confortável e não muito alto, ao contrário do que se passa em algumas motos da concorrência.

A posição de condução também foi alvo e estudos aprofundados de forma a permitir a circulação de pé sem grande esforço e sempre com grande controlo da moto.

Da mesma forma não ficaram esquecidos os acessórios, numa lista impressionante onde se destacam a protecção de cárter e motor que estavam aplicadas nas motos deste teste, e que aparecem nas fotos. Para os mais afoitos, é ainda disponibilizado um sistema de escape Akrapovic que permite ao motor “soltar-se” um pouco mais nos médios regimes.
Caso desejem equipar a Ténéré com sistemas de GPS e “road book” não vão encontrar dificuldades, porque a Yamaha pensou nisso tudo e deu espaço para esses acessórios na zona dos instrumentos.

Aventureira

Facilidade é, sem dúvida, o nome do meio da Ténéré, que neste contacto cumpriu de forma muito eficaz um circuito de mais de 300 quilómetros, por estradas de alcatrão e num fora de estrada capaz de deitar abaixo muitas motos grandes.
No primeiro troço em alcatrão vamos ficando a conhecer a nova 660 da Yamaha. O motor é já um velho conhecido. As alterações operadas no mapa do CDI e na caixa do filtro de ar deixaram-no um pouco mais solto, mas segundo nos foi confidenciado pelos responsáveis da marca presentes no local, era quase impossível retirar mais “sumo” deste motor. Sendo assim, não entramos em exageros embora a estrada seja larga mas pouco aderente.

As entradas em curva são feita com alguma cautela porque a moto mostra uma grande tendência para que a frente caia para dentro das curvas. À medida que vamos ganhando mais confiança vamos enfrentando o trajecto com mais afinco. O motor mostra-se mais solícito entre as 2.500 rpm e as 6.000 rpm. A partir daqui as vibrações do grande mono entram em “conflito” com o nosso conforto. A velocidade de cruzeiro anda na casa dos 130 km/h e a máxima ronda os 160 km/h, mas já com o bloco a acusar o esforço de um ritmo mais elevado.  Quanto a conforto, mesmo após umas longas horas em cima do banco nunca senti qualquer desconforto no “traseiro”.

A partir do meio do percurso entramos na parte de terra, e aí temos o primeiro contacto com o deserto num percurso que me deixou desejoso de voltar a Marrocos para sentir mais contacto com este tipo de piso. O piso, não posso dizer que era fácil, porque não era mesmo. A quantidade de quedas sofridas mostrou que o deserto é mesmo traiçoeiro  se rolarmos sem calma e sem os olhos bem abertos.

Num ritmo calmo e controlado, foi possível fazer o gosto ao dedo e apreciar o elevado nível de conforto da Ténéré em pisos mais degredados. A posição de condução em pé é muito boa, estando praticamente ao nível de uma moto de enduro actual. As suspensões digerem bem os buracos e lombas, caso não apertemos muito o ritmo. Se andarmos mais depressa o amortecedor chega ao limite de forma violenta e pode causar alguns sustos, principalmente nos tufos de “erva de camelo”.

A Ténéré está disponível entre nós por 7.200 €, um valor bem competitivo, especialmente face à concorrência bicilíndrica.

Ficha Técnica

 Motor  
 Tipo:
 monocilíndrico a 4 tempos com refrigeração liquida
 Distribuição:  4 válvulas por cilindro DOHC
 Cilindrada:
 660 cc
 Diâmetro x curso: 
 100 x 84 mm
 Potência máxima:  48,5 cv às 6.000 rpm
 Binário máximo:
 5,8 kgm às 5.500 rpm
 Alimentação:
 injecção electrónica
 Ignição:
 CDI
 Refrigeração:
 por líquido
 Arranque: 
 eléctrico
 Embraiagem:
 discos em banho de óleo
 Caixa: 
 5 velocidades
 Ciclistíca  
 Quadro:
 semi-duplo berço em aço
 Suspensão dianteira:  forquilha convencional Paioli com 210 mm de curso
 Suspensão traseira:
 mono-amortecedor Sachs 200 de mm de curso
 Travões dianteiros:  dois discos 298 mm Ø
 Travão traseiro: 
 disco 245 mm Ø
 Pneu dianteiro:
 90/90-21’’
 Pneu traseiro:  130/80-17’’
 Peso e dimensões  
 Distância entre eixos:  1.477 mm
 Altura do assento: 
 895 mm
 Distância ao solo:  245 mm
 Peso:  183 kg
 Cap. do depósito:  24 litros

Fonte: Motociclismo.pt

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Comentários

27/02/2010 22:41:39 #

mamone

Fóda é a nova ténéré 1200z, éssa sim agora da para chamar de ténéré, é muito melhor que éssa de 660.

mamone Brazil | Responder

30/06/2010 16:44:37 #

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