Quando publicamos o último comparativo entre a antiga Twister 250 e a Fazer 250 (julho de 2008). a Honda mais rápida na aceleração e na velocidade máxima. A explicação estava na diferença de potência, maior na Twister. Já nos testes de frenagem, retomada de velocidade e estabilidade em curva a Fazer levou a melhor. 0 lançamento da CB 300R, com injeção eletrônica e aumento da capacidade volumétrica do motor, merece um segundo "round" nessa disputa de medições com GPS, fita métrica e muito cálculo. E a resposta que conseguimos não foi quanto a Twister 250 melhorou como CB 300. Porque nem tudo está melhor...

Vamos ao que interessa, a pergunta que mais escutamos desde o lança¬mento da CB: qual é a velocidade máxima? Medimos nas duas motos e em dois sentidos, para calculamos a média anulando qualquer influência do vento. Pode se levantar, gritar palavrões, mas a verdade é que os aumentos de cilindrada e 2 cv de potência não se refletiram na velocidade máxima da CB 300. A nova Honda alcançou 130 km/h reais, contra os 132 km/h também reais da Yamaha Fazer 250. Nas decidas, quando a Fazer atinge 137 km/h, a vantagem pode se reverter para a CB por causa do corte de ignição a 10.500 RPM (10.000 RPM na Yamaha).
O "pai" dessa queda de velocidade tem nome e sobrenome conhecidos, chama-se Programa de Controle da Poluição do Ar por Motociclos e Veículos Similares (vulgo Promot). A terceira fase do programa ampliou consideravelmente as restrições sobre o antigo motor 250 lançado em 2001, principalmente pelo catalisador no escapamento. 0 amaciamento do motor também pode ter influenciado nos testes, já que a CB estava com 230 km rodados e a Fazer com 10.116 km. Mantendo o foco no desempenho, é hora de falar em aceleração. Foi a vez da CB 300R começar a dar o troco na Yamaha. Acelera até os 100 km/h em 11,70 segundos, contra 12,85 segundos da Fazer. Tanto em números quanto visualmente, 1,15 segundo significa uma diferença razoável de desempenho.
E nessa situação que a diferença de cilindrada fala mais alto, nas acelerações e retomadas em baixos e médios giros. 0 aumento de Iorque em baixas rotações, de 2,48 para 2,81 kgf.m, torna possível utilizar a quinta marcha a partir de 50 km/h sem que ocorram aqueles "trancas";como na Twister 250. 0 que ainda não é suficiente para bater a Fazer em conforto e necessidade de trocas de marcha a baixa velocidade. A Yamaha sempre se mostrou mais ajustada para baixas rotações (o motor usa duas válvulas, com menor potência máxima, contra as quatro da Twister e da CB). Praticamente em qualquer rotação ou marcha o motor da concorrente 250 está "cheio" e não dá trancos, mesmo trabalhando abaixo da faixa útil de utilização. A essa altura todos os envolvidos no teste já estavam surpresos, pois com maior cilin¬drada esperávamos que a Honda fosse superior tanto na aceleração como na velocidade máxima. A Honda acelera mais rápido e a Yamaha é mais veloz, mesmo com 5,5 cv a menos.

No comparativo anterior, entre a Twister 250 e a Fazer 250, a Yamaha levou a melhor em todas as frenagens realizadas. Desta vez, os valores nos deram um panorama diferente desde a primeira medição. Para as baterias de tese realizamos o seguinte método: primeiro velocímetros são aferidos, para que a variação da velocidade indicas não influencie no resultado – portanto, a velocidade aplicada no momento da frenagem é a real, informada pelo GPS. As condições de frenagem são as melhores possíveis, com pista seca, asfalto aderente, plano e limpo, com piloto utilizando os dois freios da melhor forma possível. Fizemos, no mínimo, cinco medições para cada velocidade. As melhores e piores são desconsideradas e as médias estabelecidas, para frenagens a 40 km/h, 60 km/h e 80 km/h.
As primeiras medições já mostravam que os freios da sucessora da Twister estão melhores, e os números foram acima do esperado. A 40 km/h a CB 300R precisou de apenas 5,66 metros contra 6,55 metros da Fazer 250, que anteriormente deu um banho na Twister (precisou de 7,75 m para frear). A 60 km/h a vantagem ainda era grande para a CB 300R, que parou em 10,88 metros, ante 13,12 metros da Fazer.
Apósos primeiros testes de frenagem, foi preciso esperar o disco de freio da CB 300R esfriar, uma vez que o sistema já estava superaquecido e comprometia diretamente na eficiência das frenagens. Alguns minutos de espera e na frenagem a 80 km/h a vantagem permaneceu com a CB: 21,83 metros contra 22,88 metros da Fazer. Um fator que contribuiu para a melhora nas frenagens da Honda foi a substituição dos pneus Pirelli MT 75 pelos Pirelli Sport Demon, mais aderentes ao asfalto. É importante salientar que a diferença de largura do pneu traseiro, 140/70 na CB 300 e 130/70 na Fazer 250, praticamente não influencia os resultados. Na mão de quem pilota a diferença está na maior intensidade do freio Honda, desde o início, enquanto na Fazer o processo é mais lento e progressivo.
Durante as tomadas de aceleração aproveitamos a curva de retorno da pista para comparar a estabilidade que as suspensões oferecem. Nesse quesito a Fazer 250 continuou levando a melhor. As suspensões da Yamaha, com 120 mm de curso na dianteira e na traseira, mostraram maior progressividade e oferecem equilíbrio ao conjunto. A CB 300R melhorou em ciclística se comparada à Twister, já o comportamento das suspensões com 130 mm de curso na dianteira e 105 mm na traseira pouco mudou. Os novos ajustes reduziram o mergulho da suspensão dianteira e transmitem mais estabilidade à traseira.
É comum percebermos que a troca de um pneu traseiro original por outro mais largo acarreta alguma dificuldade nas inclinações e mudanças de direção. Às vezes, a estabilidade nas curvas também é comprometida. Como a CB 300R foi projetada para utilizar um pneu mais largo na traseira, 140/70-17 em vez do 130/70-17, o resultado é uma moto estável nas curvas sem perder a maneabilidade do conjunto - com um ganho estético, de quebra. Sá que pneus mais largos são também mais caros. Em média os preços são R$ 280 e R$ 310.
A conclusão do comparativo é que a CB 300R, embora mecanicamente semelhante à antiga Twister 250, é mais rápida na aceleração, menos veloz na velocidade máxima e tem freios melhores que a principal concorrente, a Fazer 250. O preço da novidade (e do motor 300 cc) é até 30% maior que o da Fazer: os valores nas concessionárias estão cerca de R$1000 maiores para a CB e até R$100 menores para a Fazer. Aproveitando a onda da novidade, alguns concessionários Honda pedem até R$13.000 pela CB. No segundo semestre, as duas ganharão versões flex.
As concorrentes
Ninja 250R
A Ninjinha é indiscutivelmente charmosa esmerada no acabamento. 0 porte esportiva 600 cc também é inegável. Contudo, ao contrário do que a aparência pode sugerir, foi projetada para oferecer uma posição confortável, que viabiliza até o uso cotidiano, sem obrigar o piloto a se curvar sobre o tanque. Tecnicamente, segue especificações de uma 250 como a Fazer, mas com uma característica particular: o motor de dois cilindros paralelos tem menos vibrações em baixa rotação. 0 preço do design esportivo, com desempenho semelhante de uma naked 250, é de R$18.800.
Kasinski Comet
Produzida pela sul-coreana Hyosung e montada no Brasil, a Kasinski tem características diferenciadas das concorrente. É quase 20 kg mais pesada e usa motor dois cilindros em V. As relações de marcha longas permitem que a moto atinja 157 km/h, com alguma paciência. E ao contrário do que sugere o motor em V, a Comeu perde para as concorrentes principalmente no torque, ou seja, a moto demora mais a responder nas acelerações (também por ser mais pesada), o que a torna uma menos adequada para uso urbano. O preço é maior, de R$14.490.
Fonte: Duas Rodas