Assim que Kawasaki Japão anunciou sua entrada oficial no mercado brasileiro, a maior expectativa sobre os novos modelos que viriam a ser comercializados recaiu sobre a Ninja 250R. Em outros mercados a tal moto, inclusive usando outras denominações - nos EUA é a GPZ 250, existente desde 1986.
Num mercado como o nosso, onde a categoria 250 é um tremendo sucesso, era de se esperar que a Kawasaki introduzisse sua pequena, mas valente 250. Com motor 4 tempos bicilíndrico refrigerado a água dotado de 33cv, ela passará a ser montada em Manaus, AM, o que esperamos faça o preço final ficar mais atrativo, afinal, os R$19 mil são realmente exorbitantes frente ao preço das concorrentes nacionais. Todavia, tendo em vista seus atrativos estéticos e técnicos, custar mais, mas não tanto, se justificaria.

E enquanto aguardamos, confiantes, que a Kawasaki Brasil se estruture para oferecer à toda imprensa especializada brasileiras unidades para testes, aceitamos a gentil oferta da concessionária paulistana Casarini, para avaliar a novidade. A Ninja 250 emprestada, de propriedade de José Casarini, titular da revenda, estava com apenas 100km rodados, em pleno amaciamento. José alterou levemente o grafismo para que ela ficasse idêntica ao modelo 2009 comercializado nos EUA, dotado de faixas brancas e pretas sob a carenagem. Também foi retirado o pára-lama traseiro e isso comportou a necessidade de uma adaptação para instalação da placa sob o banco. Também os piscas traseiros foram modificados, e substituídos por pequenos LEDS nas laterais da rabeta. Em breve essa Ninja 250 receberá um sistema de escapamento esportivo, filtro de ar especial "y otras cositas más". Como nenhuma dessas alterações técnicas havia sido efetivada, considere nosso teste plenamente conforme às Ninja 250 que você poderá comprar aqui em nosso país.
- A Ninja 250 é muito interessante esteticamente. Linda, cativante, agressiva, do jeitinho que a maioria dos jovens gostaria que fossem suas Honda Twister ou Yamaha Fazer. Com carenagem integral, toda verde e a inscrição Ninja na rabeta ela empolga e instiga para acelerar. E evidente o DNA da família Ninja, com grande bolha pára-brisa, farol embuti¬do, espelhos fixos na carenagem, rodas de liga e discos de freio tipo margarida. Tudo isso exala esportividade, e de extremo bom gosto. Os designers da fábrica não pouparam esforços para deixá-la com cara de uma legítima Ninja e o resultado é excelente.

Aposição de pilotagem não é tão sacrificante quanto numa ZX-6R ou ZX-10R, pois os semiguidões contam com pequenas bases instaladas sobre a mesa superior, fato que os deixa mais altos do que se estivessem instalados diretamente nas bengalas. As pedaleiras também não são tão recuadas e, curiosamente, contam com borrachas para ajudar no conforto. 0 único ponto que não agrada é o painel, exagerada-mente grande, e cujo design mereceria mais capricho. Os três mostradores analógicos indicam RPM, velocidade e quantidade de gasolina. Falta grave é a ausência do termômetro do líquido refrigerante.
Dotada de injeção eletrônica de combustível (a versão norte americana é carburada), ela não dá trabalho na hora de dar a partida mesmo nos dias mais frios. O ruído do motor é interes¬sante, lembra o da antiga Ninja 500.
A batida é a característica de motores bicilíndricos em que os pistões sobem e descem juntos. Uma espécie de "tum-tum-tum", bastante abafado pela robusta ponteira de escapamento do sistema 2 em 1.
O assento é bem baixo, somente 780 mm distante do solo. Uma pessoa de 1,60 m consegue colocar os dois pés no chão com facilidade. A fábrica declara 152 kg a seco e 169 kg pronta para acelerar, mas comprovamos que, apesar de a balança mostrar ser a Ninjinha a moto mais pesada da categoria 250 no Brasil, isso não transparece quando a colocamos em movimento.
Como herança das irmãs maiores, constatamos que na cidade ela sofre um pouco. Para que o motor responda de maneira eficien¬te é necessário manter a rotação sem¬pre acima dos 7 mil giros e pilotá-la "esgoelando"o motorzinho. 0 torque em baixas rotações é mínimo e a faixa vermelha do conta-giros começa nos 13 mil RPM, mas chegar às 12 mil já é um desafio. Ela nos faz lembrar do comportamento da Yamaha R6, outra moto "tudo no alto". Em passeios tranqüilos ou no uso diário a Ninja 250 deixará a desejar, pois o que ela gosta é de ser tocada esportiva-mente. 0 câmbio bem sincronizado e de acionamento suave é um ponto a favor, especialmente lembrando que é sempre preciso deixar o motor girando "lá em cima". Nas ultrapassagens e retomadas é necessário habituar-se a reduzir uma, duas ou até três marchas. Defeito? Não, característica.
Definidamente esportiva, é nas curvas que a Ninja 250 mostra o melhor de si. 0 chassi é brilhante, oferecendo em conjunto com as suspensões um comportamento exemplar. A longa balança traseira é ligada a um mono amortecedor Kayaba, com links e regulagem de compressão da mola. Na frente as bengalas Showa de 37 mm0 superam as expectativas quanto à absorção de impactos e estabilida¬de. A escolha dos excelentes pneus Metzeler de perfil baixo garantiu à Ninjinha excelente aderência em curvas. Comparada às concorrentes Twister, Fazer e inclusive à nova CB 300R, a Ninja 250 está num nível superior quando o assunto é fazer curvas.
Por conta da distribuição de pesos entre roda dianteira e traseira – o motor está posicionado bem próximo à frente – a pequena Kawasaki é extremamente ágil nas trocas rápidas de direção. Os freios são outro ponto alto: o disco de 290 mm de diâmetro na frente é superdimensionado, deixando 0 traseiro quase sem função.

Uma curta viagem revelou muito sobre o potencial dinâmico dessa pequena Kawasaki. A velocidade máxima real foi de 140 km/h, enquanto o velocímetro mostrava 145 km/h e o conta-giros indicava 12 mil RPM, em sexta marcha. 0 consumo na velocidade constante de 120 km/ h, em sexta marcha, foi de 27 km/I, caindo para 22 km/I em uso urbano. Ou seja, apesar de pequena, é na estrada que ela gosta de estar.
A Ninja 250R é uma moto maravilhosa se com¬parada com as concorrentes de mesma cilindrada. Quem sempre quis uma superesportiva agora tem uma boa opção. A potência de 33 cv a 11.000 RPM é adequada, mas o torque situado acima dos 8 mil RPM obriga ao uso constante do câmbio em praticamente todas as situações, ou seja: pilote-a esportivamente e serás feliz. Do contrário... prefira as utilitárias!
Ao escolher este modelo como produto de entrada no mundo Kawasaki a marca, finalmente estreando em 1ª pessoa em nosso mercado, acertou. E um moto excelente, bem acabada e com um design espetacular, digna da tradição das Ninja. O preço elevado é um empecilho que, esperamos, seja atenuado pela nacionalização. Que ela deve custar mais que suas concorrentes por aqui nós sabemos, pois é especial. Mas não tanto assim!
Fonte:Revista Duas Rodas