Equipamento salva a vida de colunista - Motociclismo!
Publicado por admin Publicado em May 24, 2009, 2:33 pm

Equipamento salva a vida de colunista

Ao final da tarde do dia 25 de julho, sexta-feira, quando quase chegava à cidade de São Borja (RS) para fazer a cobertura do moto encontro “Terra dos Presidentes”, o colunista e piloto de motovelocidade, Jaime Nazário, sofreu um grave acidente com sua moto, tendo se salvado somente em função da resistência e da eficiência dos equipamentos de proteção individual que estava usando no momento da queda.

Vindo de Porto Alegre, pela BR 287, faltando apenas uns 30 quilômetros para chegar ao seu destino, São Borja, lá pelas 17:45 horas, após já ter percorrido mais de quilômetros desde as 11:00 horas, o colunista e piloto Jaime Nazário se deparou com uma situação totalmente imprevista e que não lhe proporcionou tempo hábil para nenhuma reação: um cachorro cruzou a sua frente.

Naquele trecho da estrada não haviam residências próximas, apenas um casebre já há alguns bons quilômetros deixado para trás. A estrada era reta, mas como esta muito mal conservada, com vários buracos, não era possível andar rápido. O acostamento estava deteriorado e, às suas margens, capim alto predominava. A vista da estrada era boa, apesar do sol que estava se pondo à frente. Não trafegavam outros veículos e a paisagem era típica da tranqüilidade das pastagens de gado.

Nestas circunstâncias, o piloto foi surpreendido quando uma cachorro de médio porte sem raça definida saiu do capinzal em disparada, imediatamente à sua frente.

Nada foi possível fazer. Foi tudo muito rápido, sem possibilidade para reação, nem frear foi possível. A moto atropelou o cachorro com a roda dianteira bem ao centro do animal, o qual rolou por baixo da moto e quando foi atropelado pela roda traseira fez com que a máquina ejetasse o piloto para o asfalto e saísse desgovernada em frente.

O pessoal da organização que foi recolher a moto verificou que, entre o corpo do cachorro e o ponto em que o piloto parou, aconteceu uma rolagem de 60 metros e até o ponto em que a moto parou, 200 metros.

A sensação é horrível. Foram várias rolagens sem controle da situação, e aí o único protetor do piloto, além de Deus, foi o equipamento de proteção individual.

Foram muitas cabeçadas e raspagens contra o asfalto que castigaram severamente o capacete, um Shark modelo RSF-2. Em especial, a parte frontal do capacete apresentava sinais de raspagens profundas no casco e na viseira, ou seja, se não fosse por este, o rosto teria sofrido sérias deformações.

Uma vez tendo parado, após alguns instantes, o piloto sentiu que estava bem, vivo, e que nada havia lhe acontecido de sério, nenhuma dor forte de fratura, arranhão ou sangramento. Todo o equipamento, aparentemente, havia funcionado bem.

Sentindo que não havia se machucado, Nazário se levantou, olhou para a roupa e viu que a coisa tinha sido mais séria do imaginara inicialmente. Suas luvas estvam praticamente desintegradas, mas ainda em suas mãos, sua roupa toda esfarrapada e suas botas BannyPel, que eram praticamente novas, com o couro bem fino e macio, de tão desgastadas. Não chegou a tirar o capacete.

Desta forma, caminhou 140 metros até a moto para ver o que com ela tinha acontecido. A carenagem e gidão estavam bem danificados. Ela não tinha mais condições de seguir viagem.

Foi neste momento que um casal, Rose e Alex, que passava pela mesma estrada, pararam para acudir. Rose, que é enfermeira, se assustou com o frangalho em que se encontrava o piloto e o fez deitar-se imediatamente até chegasse uma ambulância, surpresa em ver como poderia alguém estar de pé naquelas condições.

Quando chegaram os enfermeiros para o resgate foi procedida a remoção do capacete, que mantivera-se bem firme à cabeça do piloto. Os atendentes estavam com muito medo de mexer na cabeça do piloto, pois o capacete estava completamente arranhado e riscado, embora não apresentasse sinais de rachadura.

Tirado o capacete, todos puderam ficar mais calmos ao ver a tranqüilidade de Nazário. Mesmo assim, pediram para que membros fossem movimentados para certificar algum provável dano. Tudo confirmava que o motociclista estava bem e o enfermeiro chefe fez as seguinte declaração: “Meu amigo, cada centavo pago nesta tua roupa te salvou milagrosamente. Já vi tombos bem menores que o teu e gente toda quebrada, mas não usavam o que tu estavas usando”.

Na chegada ao hospital nova apreensão da equipe de emergência. As enfermeiras retiraram a jaqueta e se surpreenderam com o peso dela, mas logo afirmaram: “por isto que esta jaqueta resistiu, olha só como ela é pesada e forte!”. Não conseguiram retirar a bota BannyPel que estava bem firme nos pés. Mesmo bem danificada, confirmando que o piloto estava bem, resolveram mantê-la calçada. Afrouxaram a calça esperando encontrar hematomas e uma possível fratura no joelho direito, mas nada, nem mesmo arranhões. Novas exclamações: “puxa, se todos usassem roupas assim, muito poucos nós precisaríamos tratar”. As luvas de couro haviam sido removidas no local da queda e lá mesmo foram jogadas fora, pois estavam completamente esfarrapadas, mas as mãos sofreram apenas dois pequeninos arranhões.

Após os devidos exames e radiografias, a constatação final: somente uma fissura num dos ossos do antebraço esquerdo próximo ao pulso, nada mais, um milagre e um sucesso da tecnologia de proteção.

Capacete, calça, jaqueta, luvas e botas foram simplesmente jogados fora, pois o estado destes equipamentos ficou tão deplorável que nada mais restava fazer, apenas, como sugeriram todos que participaram do atendimento, agradecer a eficiência de todos estes, que mantiveram o motociclista vivo, e sem nenhuma seqüela.

Também é importantíssimo destacar o espírito de solidariedade da organização do moto encontro “Terra dos Presidentes”, que acompanhou todo o resgate, o atendimento médico, emprestou roupas para o motociclista, pois as suas foram destroçadas, o acomodou e ainda recolheu a moto e seus pertences pessoais. Bacin, Oneron e Pedrão, de forma muito especial, merecem e o agradecimento da revista eletrônica www.sobremotos.com.br, mas também todos os demais partipantes do resgate e todos os demais amigos de estrada que se preocuparam, manifestaram apoio, mandaram mensagens e telefonaram para ajudar Nazário.

Não se pode esquecer também do ser vivo vitimado nesta episódio, o cachorro, mas, pelo menos, este deve ter tido morte instantânea, dada a violência do impacto.

Este episódio ressalta os perigos da estrada e a necessidade do motociclista estar sempre cuidadoso e bem equipado.

Como piloto de motovelocidade, Jaime Nazário alcança velocidades em torno de 300 Km/h e, ainda assim, está em um ambiente muito mais seguro e controlado do que em 80 km/h em uma estrada. Não há cachorros na pista, não há buracos, não há carros ou caminhões na contramão, não há polícia, há áreas de escape e, se houver um acidente, o atendimento é imediato, então, não é nada aconselhável correr nas estradas, pois os perigos são inúmeros. A FGM abriu a categoria “Turismo” para que motos de rua e seus pilotos possam correr no local e com a estrutura adequados e demais federações de motociclismo devem tomar iniciativas semelhantes.

Por fim, independente da velocidade, nas ruas da cidade ou na estrada, é somente o equipamento de proteção individual (capacetes, jaqueta, calça, luvas, botas e protetor de coluna) o que poderá salvar uma vida, como salvou a de Jaime Nazário, ou evitar uma seqüela. Vale cada centavo investido em segurança, quando ele se fizer necessário. Isto não significa comprar o equipamento mais caro, da moda ou mais bonito, mas aquele que poderá oferecer reais condições de proteção quando estas forem exigidas.

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