A Honda vai “Fazer” a festa?
Em um ano de muitos lançamentos devido às novas regras de poluentes, talvez a CB 300R tenha sido o lançamento mais aguardado pelo público. Pelo visto, as expectativas foram alcançadas com êxito e, como pudemos constatar, poucas críticas podem ser feitas ao modelo da Honda. A nova motocicleta mal chegou à redação e já a colocamos no ringue diante de sua principal rival, a Fazer 250, que recebeu, na versão 2010, uma sonda lambda no novo escapamento para adequar-se ao PROMOT 3, além de novas lentes de piscas e um painel com grafismos alterados. No mais, é a mesma moto lançada em 2006.
No princípio, achamos que o comparativo seria como bater em um bêbado, afinal, comparar uma moto recém-lançada, moderna e com mais cilindrada, contra um modelo que já nasceu carente de um design atraente e menos cilindrada seria vitória fácil para a Honda. Mas a briga não foi vencida por nocaute.
Depois de um dia inteiro de testes na pista, sessão de fotos e avaliações urbanas, constatamos que a Fazer 250 satisfaz em todos os aspectos, mas a CB 300R consegue fazer tudo um pouco melhor. Ficando na marca, é algo como você ficar em dúvida entre a versão básica de um Civic ou a sua versão esportiva SI. Em outras palavras, a CB 300R poderia ser confundida facilmente como a versão R da Fazer, principalmente pelo prazer em pilotar. Os números de vendas até o fechamento da edição (últimos dias de julho) já mostram o cenário que teremos. Enquanto a Honda emplacou 6125 unidades, a Yamaha teve de se contentar com 1523. E olha que a CB 300R só começou a ser encontrada no meio do mês de junho. Talvez em vendas, será o sóbrio batendo no embriagado!
Os pneus mais largos e as linhas da traseira dão robustez às formas, enquanto a traseira da Fazer... deixa pra lá. Quando montamos na motocicleta, encontramos duas posições bem diferentes. Na CB 300R existe uma interação maior e encaixamos melhor as pernas no tanque, por outro lado, na Fazer ficamos mais “soltos” sobre a moto. No modelo da Yamaha, sentamos “dentro” da moto, e na Honda, ficamos encaixados “sobre” ela, parecendo menor do que é, como numa pequena street-fighter. Mas a Honda, tem alguns pontos falhos que incomodam. A alça do descanso lateral dificulta o acesso ao pedal de câmbio e as borrachas grossas e macias colocadas para evitar vibrações na pedaleira tiram a firmeza do pé. No entanto, o ponto mais crítico é a pouca distância entre as pedaleiras do piloto e do garupa. Se ambos tiverem o pé grande, o garupa vai ter de, literalmente, ficar com os pés de fora.
É possível, por exemplo, apoiar o calcanhar no pedal do garupa estando com o peito do pé na pedaleira do piloto. Fica evidente que a borracha das pedaleiras foi necessária para amenizar as vibrações, pois elas são sentidas no tanque e no guidão. A Fazer é bem superior nesse sentido.
Antes de partir com a moto e olhando alguns detalhes, vemos a modernidade do painel da CB 300R, diante do melhorado – mas ainda antiquado – modelo da Yamaha.
A Fazer tem dois hodômetros parciais, contra um do modelo da Honda, enquanto o relógio digital fica sempre visível na Honda. Os punhos de luz da CB 300R poderiam ser melhorados. Nesse ponto, os da Yamaha são mais bonitos. No mais, o shutter key da CB 300R é um importante aliado contra o roubo, assim como o farol de 55W/60W bem superior ao de 35W/35W da Fazer. No quesito retrovisor, a disputa pende para a Yamaha novamente, pois os modelos cromados da Honda não agradam e têm uma visão ruim.
Mas é na hora de andar quer a modernidade do projeto dá pontos ao novo modelo da Honda, mas a Fazer tem as suas qualidades também.
Mesmo contando com 4 válvulas (contra 2 da Fa\er), o motor da CB 300R gira menos e gosta mesmo é de trabalhar em rotações medianas. Curioso, pois o ganho de cilindrada foi obtido com o aumento do diâmetro e não do curso do pistão. Dessa forma, em rotações altas ele deveria ter mais elasticidade como na Twister e não o contrário como vemos agora. Com certeza, com outras mudanças internas essa questão virou secundária.
Por outro lado, a Fazer tem um motor “elétrico”, com boas respostas em qualquer rotação. Na prática, o desempenho da CB 300R é superior ao da Fazer. Nas arrancadas de farol, a CB 300R dispara na frente fazendo de 0 a 100km/h em 9s76 contra 11s74. A relação mais curta das 1ª e 2ª marcha ajuda nessa marca e deixam a CB 300R mais ágil na cidade.
Nas medições de retomada, tivemos um empate técnico, no entanto, como ele foi feito em 5ª marcha e a CB 300R tem essa marcha mais longa, acabou prejudicada. Contudo, no dia a dia, é evidente a vantagem de torque para o modelo da Honda em qualquer situação. Mas não espere tanta diferença. Em velocidade final, a CB 300R é sensivelmente superior.
Ambos os motores não são os mais suaves, sendo um tanto ásperos, apesar da Fazer ser um pouco mais ruidoso. Para trocar as marchas, o usuário da CB 300R vai ficar feliz com a precisão dos engates, enquanto o dono da Fazer terá problemas, principalmente com o motor quente.
No conjunto ciclístico, as diferenças de proposta aparecem um pouco mais. A Fazer, que sempre foi considerada justa e estável, parece muito mais mole do que a CB 300R, justamente em tocadas mais agressivas. De qualquer forma, isso não é um ponto negativo, pois há quem prefira a maciez do conjunto da Yamaha diante da rigidez até excessiva da CB 300R. Em pequenas irregularidades, enquanto a CB 300R “copia” tudo e transmite ao piloto, a Fazer “flutua” por cima, ganhando em conforto. Em contrapartida, em depressões maiores, o amortecedor da Fazer carece de progressividade e retorna rápido demais, trazendo desconforto. Com garupa, não é difícil acusar o fim de curso devido à maciez. A CB 300R, com seu maior desconforto, acaba ganhando em condução com garupa e estabilidade direcional, além de ser mais estável e permitir maiores inclinações. Mas, no dia a dia, talvez o ideal fosse a maciez inicial da Fazer com a firmeza da CB 300R no último estágio. É como se a CB 300R fosse uma pequena esportiva e a Fazer um sedã de luxo. O garupa fica bem acomodado nas duas motos. Na CB vai com a perna menos dobrada – apesar do problema do especo do pé -, enquanto que as alças da Fazer são mais bem posicionadas. Os da CB poderiam estar mais para trás, pois fica difícil de se segurar em arrancas e frenagens. O banco da CB com um ressalto é mais anatômico e evita que o garupa escorregue.
No quesito freios, a briga fica desigual e, aqui, a CB dá um “coro” na Fazer. Os números de pista até dão vantagem para a Fazer, no entanto, precisamos frear com os 3 dedos e brigar com uma bengala mole para alcançar o melhor número. Com a CB, a dosagem e a potência são superiores e a frenagem é mais estável. No uso cotidiano, com frenagens mais suaves, o conjunto da CB se mostra superior. O sistema traseiro de ambas vem equipado com tambor, porém o da Honda mostrou-se levemente superior. Mas cadê os discos?
O acabamento de ambas é razoável e falta um pouco mais de capricho como o pedal de freio da CB e o sensor do cavalete lateral exposto na Fazer. A pintura, em alguns pontos do chassi, também deixa a desejar. Ambas não possuem trava de capacete, mas o espaço sob o banco é superior na Fazer permitindo guardar uma trava de disco e um par de luvas, por exemplo. A ponteira do escapamento da Fazer descentralizada dá um ar de desleixo por parte da Yamaha. Depois de usar e abusar dos dois modelos, podemos concluir que a CB é claramente uma evolução da espécie. Possui um desempenho superior, assim como o câmbio e o design. No quesito suspensões, há quem prefira uma ou a outra, mas em pisos em, bom estado, a CB também leva. O que não causou uma boa impressão foi o acabamento de ambas. Vistas com mais atenção, fica claro o pouco capricho em itens escondidos.
Os preços praticados são de R$9.800 para o modelo da Yamaha e R$12.000 para o modelo da Honda. No entando, o valor cobrado pela Yamaha ainda é referente ao modelo 2009. Pelo modelo 2010, as concessionárias, em São Paulo, estimam R$12.000. Um valor que deixará a Fazer fora do negócio. Pela diferença, a maioria vai partir para a CB – os números deixam claro -, e a tendência será a Yamaha abaixar, e não a Honda aumentar, até porque o valor cobrado pela marca das asas está em acima da tabela devido ao ágio.
Concluindo, a CB ganha o comparativo com uma certa folga, mas a Yamaha pode se manter na ativa com um preço menor, tornando um modelo mais barato e proporcionalmente de eficiência comprovada. A CB 300R é realmente a moto da vez, mas custa mais. Contudo, se a racionalidade bater a sua porta e você optar pela Fazer fique tranqüilo que você estará bem servido.