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Estávamos em 1983, o Rally Paris-Dakar apelava cada vez mais ao sentido aventureiro dos pilotos privados, aqueles que durante anos deram cor e consistência à prova idealizada por Thierry Sabine, e que agora atravessa uma enorme encruzilhada.
Lançada em Marrocos há um quarto de século, a Yamaha voltou a este paÃs para dar a conhecer umas das motos mais célebres dos anos 80, que fez sonhar uma geração de “fanáticos†pelas motos onde orgulhosamente me incluo. Tenho várias fotos de uma Ténéré azul de 1986, a primeira moto com mais de 50 cc que conduzi, do meu pai, que foi um grande apaixonado pelas motos e o grande “culpado†por esta paixão quase desmesurada pelas motos de terra que tenho hoje em dia.
Realmente, a Ténéré foi a primeira moto de grande cilindrada que me fez sonhar quando via aqueles aventureiros a cruzar as areias do deserto do Sahara e Ténéré na televisão, muitas das vezes em condições quase inumanas. A Ténéré foi apelidada com o mesmo nome de um grande deserto que se estende do Norte do NÃger até ao Chade, e que em touareg quer dizer “nenhum lugar†ou deserto.
Saudoso regresso
Basicamente, a Yamaha continuou a seguir o mesmo conceito da Ténéré original, concebendo uma moto actualizada esteticamente mas em que os pergaminhos são os mesmos. A nova 660 é fácil de conduzir, económica, confortável e possuidora de uma grande autonomia.
No campo da ciclÃstica a Yamaha teve de desenvolver um quadro totalmente novo, que permitisse albergar componentes mais rÃgidos e evoluÃdos para suportar os abusos quando se circula fora de estrada. O quadro é mais rÃgido, albergando ao mesmo tempo o depósito de óleo, fácil de inspeccionar, enquanto que na traseira o braço oscilante é um elemento muito evoluÃdo construÃdo em liga de alumÃnio de elevada rigidez torsional, mais leve que o aço e capaz de oferecer um comportamento mais eficaz fora de estrada.
No campo das suspensões passamos a encontrar na dianteira umas bainhas Paioli de 43 mm com 210 mm de curso, e onde é possÃvel regular a pré-carga da mola mediante uma simples chave sextavada. Na traseira, a Sachs marca a presença com um amortecedor de reservatório separado que oferece 200 mm de curso e, igualmente, a possibilidade de afinação da pré-carga da mola no caso de circularmos com passageiro.
Outros componentes dignos de nota serão as rodas de 21 e 17 polegadas que permitem seleccionar um leque muito variado de pneus que existem no mercado para o caso de nos aventurarmos mais a sério fora de estrada.
Identidade marcante
Sem dúvida de que um dos aspectos mais marcantes da nova Ténéré será a sua estética fenomenal. Marcada por uma frente simplesmente fantástica, onde a grande óptica dianteira marca a presença e a carenagem que serve de apoio ao volumoso vidro dianteiro.
Para proteger a nova Ténéré em caso de queda, a Yamaha teve a ideia engenhosa de cobrir as extremidades mais salientes com uma borracha de alta densidade que, para além de ser apelativa em termos estéticos, se revelou extremamente prática, tendo em conta a quantidade de quedas sofridas na zona de terra pelos nossos colegas de profissão.
Onde a Yamaha trabalhou com grande afinco foi no equilÃbrio geral do conjunto. Sabiam que esta 660 leva 24 litros de gasolina? Pois é, não se nota, a zona do depósito é muito estreita e permite um encaixe excelente dos joelhos quando andamos em pé ou sentados. A zona traseira da moto também foi alvo de grandes cuidados para se ter uma moto com assento confortável e não muito alto, ao contrário do que se passa em algumas motos da concorrência.
A posição de condução também foi alvo e estudos aprofundados de forma a permitir a circulação de pé sem grande esforço e sempre com grande controlo da moto.
Da mesma forma não ficaram esquecidos os acessórios, numa lista impressionante onde se destacam a protecção de cárter e motor que estavam aplicadas nas motos deste teste, e que aparecem nas fotos. Para os mais afoitos, é ainda disponibilizado um sistema de escape Akrapovic que permite ao motor “soltar-se†um pouco mais nos médios regimes.
Caso desejem equipar a Ténéré com sistemas de GPS e “road book†não vão encontrar dificuldades, porque a Yamaha pensou nisso tudo e deu espaço para esses acessórios na zona dos instrumentos.
Aventureira
Facilidade é, sem dúvida, o nome do meio da Ténéré, que neste contacto cumpriu de forma muito eficaz um circuito de mais de 300 quilómetros, por estradas de alcatrão e num fora de estrada capaz de deitar abaixo muitas motos grandes.
No primeiro troço em alcatrão vamos ficando a conhecer a nova 660 da Yamaha. O motor é já um velho conhecido. As alterações operadas no mapa do CDI e na caixa do filtro de ar deixaram-no um pouco mais solto, mas segundo nos foi confidenciado pelos responsáveis da marca presentes no local, era quase impossÃvel retirar mais “sumo†deste motor. Sendo assim, não entramos em exageros embora a estrada seja larga mas pouco aderente.
As entradas em curva são feita com alguma cautela porque a moto mostra uma grande tendência para que a frente caia para dentro das curvas. À medida que vamos ganhando mais confiança vamos enfrentando o trajecto com mais afinco. O motor mostra-se mais solÃcito entre as 2.500 rpm e as 6.000 rpm. A partir daqui as vibrações do grande mono entram em “conflito†com o nosso conforto. A velocidade de cruzeiro anda na casa dos 130 km/h e a máxima ronda os 160 km/h, mas já com o bloco a acusar o esforço de um ritmo mais elevado. Quanto a conforto, mesmo após umas longas horas em cima do banco nunca senti qualquer desconforto no “traseiroâ€.
A partir do meio do percurso entramos na parte de terra, e aà temos o primeiro contacto com o deserto num percurso que me deixou desejoso de voltar a Marrocos para sentir mais contacto com este tipo de piso. O piso, não posso dizer que era fácil, porque não era mesmo. A quantidade de quedas sofridas mostrou que o deserto é mesmo traiçoeiro se rolarmos sem calma e sem os olhos bem abertos.
Num ritmo calmo e controlado, foi possÃvel fazer o gosto ao dedo e apreciar o elevado nÃvel de conforto da Ténéré em pisos mais degredados. A posição de condução em pé é muito boa, estando praticamente ao nÃvel de uma moto de enduro actual. As suspensões digerem bem os buracos e lombas, caso não apertemos muito o ritmo. Se andarmos mais depressa o amortecedor chega ao limite de forma violenta e pode causar alguns sustos, principalmente nos tufos de “erva de cameloâ€.
A Ténéré está disponÃvel entre nós por 7.200 €, um valor bem competitivo, especialmente face à concorrência bicilÃndrica.
Ficha Técnica
| Motor | |
| Tipo: | monocilÃndrico a 4 tempos com refrigeração liquida |
| Distribuição: | 4 válvulas por cilindro DOHC |
| Cilindrada: | 660 cc |
| Diâmetro x curso: | 100 x 84 mm |
| Potência máxima: | 48,5 cv às 6.000 rpm |
| Binário máximo: | 5,8 kgm às 5.500 rpm |
| Alimentação: | injecção electrónica |
| Ignição: | CDI |
| Refrigeração: | por lÃquido |
| Arranque: | eléctrico |
| Embraiagem: | discos em banho de óleo |
| Caixa: | 5 velocidades |
| CiclistÃca | |
| Quadro: | semi-duplo berço em aço |
| Suspensão dianteira: | forquilha convencional Paioli com 210 mm de curso |
| Suspensão traseira: | mono-amortecedor Sachs 200 de mm de curso |
| Travões dianteiros: | dois discos 298 mm Ø |
| Travão traseiro: | disco 245 mm Ø |
| Pneu dianteiro: | 90/90-21’’ |
| Pneu traseiro: | 130/80-17’’ |
| Peso e dimensões | |
| Distância entre eixos: | 1.477 mm |
| Altura do assento: | 895 mm |
| Distância ao solo: | 245 mm |
| Peso: | 183 kg |
| Cap. do depósito: | 24 litros |
Fonte: Motociclismo.pt





Fóda é a nova ténéré 1200z, éssa sim agora da para chamar de ténéré, é muito melhor que éssa de 660.