Publicado por admin Publicado em July 13, 2009, 12:52 am

Teste CB 1000R

É interessante esta nova fase da Honda. Em pouco tempo, e através de alguns modelos,  conseguiu acabar com a imagem conservadora que a envolvia. Detpois do restyling introduzido na Hornet 600, modelo que abanou algumas convicções, chegou o momento de atacar na versão de maior cilindrada. Esta CB 1000R está a anos luz da simplicidade assumida com a Hornet 900 e respira uma modernidade e um comportamento desportivo que a X11 nunca conseguiu oferecer.

Risco calculado

Uma marca global não se pode dar ao luxo de ensaiar opções. A sensação de novidade corresponde realmente ao que é proposto mas algumas das soluções apresentadas, como é o caso da base que serviu para o motor e a configuração do braço oscilante traseiro, estão devidamente apoiadas numa enorme experiência adquirida e comprovada em momentos anteriores. Como novidade, a construção em alumínio do quadro “mono-backbone” e uma configuração estética apelativa e agressiva, destacando-se o formato do escape e o design das extremidades. Relativamente às cores, nota-se também alguma prudência. A mais exuberante e curiosa é a “Dragão Verde metalizado”, mas existem mais outras três, bastante mais sóbrias, como sejam o branco pérola, o cinza e o negro metalizado.

A função segue a forma

As novas “naked” destinam-se a um público que privilegia uma atitude aberta e pretendem sobretudo usufruir das capacidades dinâmicas da moto. A facilidade de condução é assim uma condição fundamental para o seu sucesso, e foi nesse sentido que a Honda centralizou as massas por forma a proporcionar uma condução mais natural e acessível. O primeiro contacto é agradável. Os comandos assentam bem, a posição de condução é compacta e a sensação de controlo é absoluta. O peso parece menor do que o anunciado e o arranque é suave. É também este o momento para a primeira dificuldade. O painel é interessante, com a informação a aparecer em linha, mas a iluminação azul escura não facilita a leitura, para mais porque os números do velocímetro não são grandes e a escala do conta-rotações está algo comprimida. O guiador também podia ser mais elaborado, ou então disfarçada a sua simplicidade, pouco de acordo com a imagem futurista e arrojada que o rodeia. Os primeiros metros são agradáveis. A embraiagem de accionamento hidráulico tem várias posições de afinação e não obriga a força excessiva, não induzindo assim restrições à sua utilização. O acelerador é macio e o motor sobe de rotação com suavidade, sendo acompanhado por uma caixa de velocidades leve apesar do curso curto do selector.

A circulação em percurso citadino é agradável, a agilidade é grande e o motor progressivo. Para os mais relaxados, é possível serpentear pelas filas desde as 2000 rpm em sexta velocidade, que o motor já não se queixa. As alterações efectuadas ao nível da alimentação, nomeadamente através da redução dos corpos de admissão e pela inclusão do sistema IACV ( Intake Air Control Valve ) justificam-se plenamente, proporcionando uma suavidade de funcionamento referencial e perfeitamente adaptada a uma condução despreocupada em cidade. Os amantes das sensações podem no entanto estar descansados que, apesar de se ter melhorado a expressão em baixas e médias, não se castrou o motor. Se estivermos dispostos a explorar a segunda metade das rotações disponíveis, não vai faltar a adrenalina. Em aceleração, nas duas primeiras velocidades, a roda da frente levanta sem contemplações se o movimento do punho for decidido, justificando-se assim perfeitamente a inclusão do R na sua identificação. Ao nível dos aspectos práticos para a utilização citadina, o espaço por baixo do banco permite guardar umas calças impermeáveis, finas. Já o raio de viragem é muito bom, necessitando de apenas 4,8 metros para se conseguir inverter o sentido. Se pretenderem levar passageiro apenas devem ter cuidado com as acelerações. A posição é razoável, as pernas não estão demasiado flectidas e se o percurso não for longo o conforto do banco é suficiente. Simplesmente, as pegas para as mãos estão demasiado colocadas para a frente, não permitindo compensar devidamente a transferência do peso em aceleração, o que coloca o passageiro, facilmente, numa posição delicada. Como a parte final do escape está bastante elevada e exposta convém também avisá-lo para ter cuidado com o pé direito, evitando-se assim estragos no sapato e na protecção. Ao nível dos consumos, podem contar no ambiente citadino com um valor inferior aos sete litros, sem obrigar a qualquer tipo de limitação.

Interessante e divertida

Apesar da boa convivência na cidade é em estrada que esta naked melhor se revela. A fluidez da ciclística convida a aumentar o ritmo, sendo bem acompanhada pelo restante conjunto. A travagem dianteira está à altura das necessidades, sendo progressiva e potente, e a traseira, apesar do reduzido curso do pedal, cumpre a função sem criar surpresas. A sensação de conforto é real, apesar da reduzida espessura da espuma do banco e do facto dos pousa-pés não serem cobertos a borracha. A explicação está na afinação das suspensões, suficientemente macias para compensar as opções anteriores. Se pretendermos levar passageiro as alterações no comportamento são menos prejudiciais que o esperado. A frente mantém uma precisão aceitável e a redução na maneabilidade não é de molde a procurarmos uma desculpa numa próxima oportunidade. Já o curso da suspensão traseira, em zonas menos planas, chega a esgotar o curso, com a consequente pancada. O cuidado nas reacelerações deve manter-se, a não ser que o passageiro escolha outro local que não as cavidades por baixo do banco para  agarrar as mãos. Em estrada nota-se também que a forma dos espelhos não oferece toda a informação desejada, o que podia ser melhorado se fossem mais largos na zona exterior

Apesar de suave e disponível, o motor tem mais do que um patamar de comportamento. Até às 4500 rpm é progressivo e suficientemente cheio para uma condução relaxada mas, ao passar essa marca, nota-se que está disponível para outros voos, evidenciando a energia suficiente para tornar divertido qualquer percurso. É no entanto ao passar das 6000 rpm que se entra na dimensão da agressividade. A partir desse momento as trocas de caixa surgem mais rapidamente e agradecemos a facilidade de entrada em curva. A protecção aerodinâmica é razoável, superior até ao esperado. O formato do farol dianteiro e a cobertura do painel de instrumentos proporcionam um escoamento do ar interessante, permitindo que se rode a 150 km/h com relativa facilidade, e sem que nos sintamos convidados a baixar o corpo à procura de mais conforto. A esta velocidade vamos em 6ª, precisamente à 6000 rpm, no tal ponto em que, se quisermos, tudo se torna mais alegre.

Limitação natural

Não é uma novidade a difícil convivência deste tipo de motos nas auto-estradas. Neste caso até se consegue rodar a velocidades acima das “autorizadas” com menos esforço que o suposto mas, ultrapassando-se os 160 km/h, passado algum tempo este exercício torna-se desagradável. Se o percurso for curto e estiver livre de “interferências”, não deixa de ser interessante sentir a aceleração que os 125 cavalos declarados permitem obter, se bem que não vale a pena, nas velocidades intermédias, explorar rotações com cinco dígitos. Os percursos mais longos ficam assim naturalmente limitados a uma velocidade de cruzeiro livre de surpresas e de transferências bancárias, ao mesmo tempo que, sem curvas para nos entretermos, começamos também a dar conta que o banco podia efectivamente ter um pouco mais de espuma.

Opção válida

Esta naked alia à sua irreverência estética um comportamento dinâmico capaz de ser explorado facilmente por todos, não obrigando a sacrifícios para dela usufruirmos. O seu motor disponibiliza vários patamares de performance, permitindo obter sensações fortes se para isso estivermos com disposição. Se para o utilizador for também importante sobressair da multidão, a decoração ensaiada é um valor seguro. 

Ficha Técnica:

Motor                                                                         
 Tipo:                               4T, quatro cilindros em linha, refrigeração líquida 
 Distribuição:  DOHC, 4 válvulas p/cilindro
 Cilindrada:  998 cc
 Diâmetro x curso:  75 x 56.5 mm
 Potência declarada:  125 cv às 10.000 rpm
 Binário declarado:  10,1 kgm às 7.750 rpm
 Alimentação:  injecção electrónica
 Arranque:  eléctrico
 Embraiagem:  multidisco em banho de óleo
 Caixa:      seis velocidades
 Ciclística  
 Quadro:  Mono-backbone em alumínio
 Suspensão dianteira:  forquilha invertida com 43 mm Ø e 120 mm de curso, totalmente regulável
 Suspensão traseira:  monoamortecedor totalmente regulável, 128 mm de curso
 Travão dianteiro:  dois discos de 310 mm, assistidos por pinças de 4 pistões
 Travão traseiro:  disco de 256 mm, com pinça de 2 pistões
 Roda dianteira:  120/70-17’’
 Roda traseira:  180/55-17’’
 Peso e dimensões  
 Comprimento:  2105 mm
 Distância entre eixos:  1445 mm
 Altura do assento:  825 mm
 Capacidade do depósito:  17 L
 Peso:  217 kg (cheio)
 Preço:  9900€
 Medições  
 Acelerações km/h  
 0-100 km/h  3,6s/46m
 0-120 km/h  4,6s/76m
 0-150 km/h  6,5s/149m
 0-180 km/h  9,4s/280m
 Metros  
 0-400  11,7s/196km/h
 0-1.000  22,0s/n.d. km/h

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